Caminhos das Águas — entre fontes, trilhos e histórias de Minas
- Caminhos da Arquitetura
- há 16 horas
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29 e 30 de agosto

Dia 1 — A estrada, o café mineiro e o caminho pelos trilhos
A mala já estava pronta. O lanchinho, devidamente embalado. O kit da viagem aguardava os nossos viajantes. Estava tudo no lugar — ou quase tudo, porque em viagem do Caminhos sempre existe aquela última pergunta antes de sair: “Será que pegamos todo mundo?”
Era hora de embarcar para mais uma experiência.
Dessa vez, o destino era Minas Gerais. Mais precisamente, o Caminhos das Águas, um fim de semana entre montanhas, histórias, arquitetura, águas medicinais, comida boa e, claro, muitas risadas pelo caminho.
Enquanto um grupo partia de São Paulo, outros viajantes aguardavam a chegada do ônibus no Parque Santos Dumont, em São José dos Campos. Aos poucos, todos foram chegando e, quando finalmente nos encontramos, vieram os abraços, os reencontros e aquela alegria gostosa de rever quem já virou parte da família Caminhos.
Era noite, a estrada estava à nossa frente e a ansiedade pelo fim de semana começava a tomar conta.
Dentro do ônibus, depois de algumas conversas, risadas e aquela inevitável organização das bolsas, almofadas e travesseiros improvisados, o silêncio foi aparecendo. Um por um, os viajantes foram se acomodando. O sono chegou e a estrada passou a ser acompanhada pelas luzes que corriam do lado de fora das janelas.
Ao longo do caminho, fizemos algumas paradas para que todos pudessem esticar as pernas, tomar um café, fazer aquele lanchinho rápido e, como sempre dizemos: bora continuar!

Bom dia, Minas!
Quando chegamos a São Lourenço, o dia começava a amanhecer.
E não existe maneira melhor de começar uma manhã em Minas do que diante de uma mesa cheia de guloseimas.
Seguimos para uma padaria mineira, onde nos esperava aquele café da manhã que parece ter sido inventado justamente para receber viajantes: café com leite, pão na chapa e tantas outras tentações que fazem qualquer dieta pedir férias também.
Depois do café, seguimos para o hotel para o check-in, onde nosso guia, Marcos, já nos aguardava.
Com todos acomodados, começamos nosso primeiro passeio pela cidade.
São Lourenço foi aparecendo aos poucos diante dos nossos olhos. Passamos pelo centro histórico, pela igreja, pelo marco zero, pelo ponto mais alto da cidade e pela tradicional estação ferroviária.
Entre uma parada e outra, nosso guia foi costurando a história da cidade com informações e curiosidades da região. E, como Minas nunca decepciona, ainda tivemos uma pausa para degustar alguns dos seus famosos queijos.
A manhã passou voando.
Quando percebemos, já era hora de almoçar — porque conhecer uma cidade dá fome, e em Minas isso parece acontecer ainda mais rápido.

Pelos trilhos de Minas
Depois do almoço, chegou um dos momentos mais esperados da viagem: o passeio de trem.
Foram aproximadamente três horas percorrendo os trilhos, observando as montanhas, pequenas paisagens rurais e aquela Minas que parece ter escolhido outro ritmo para viver.
Durante o trajeto, fomos conhecendo um pouco mais sobre a história e o traçado da linha ferroviária. Do lado de fora, as montanhas. Dentro do trem, a conversa, as fotos e a interação entre os viajantes.
E havia também quem estivesse do lado de fora dos trilhos. Em alguns pontos do caminho, moradores acenavam para o trem, criando pequenas cenas que, apesar de simples, acabam ficando entre as melhores lembranças da viagem.
Nossa parada aconteceu na estação de Soledade.
Ali tivemos tempo para caminhar, conhecer um pouco do comércio local, experimentar mais algumas delícias mineiras e, naturalmente, procurar aquela lembrancinha que ninguém tinha planejado comprar — mas que de alguma maneira acabou encontrando espaço na mala.
Na volta para São Lourenço, desembarcamos novamente na estação e seguimos caminhando pelo centro da cidade em direção ao hotel.
Foi interessante perceber São Lourenço nesse horário: o comércio movimentado, as pessoas circulando, as ruas organizadas e uma cidade que mistura o clima tranquilo de uma estância tradicional com uma energia bastante viva.

O brinde do Caminhos
O dia já começava a se despedir quando retornamos ao hotel.
Era hora de descansar?
Talvez.
Mas antes disso, nosso grupo decidiu aproveitar a noite juntos.
Fizemos nosso tradicional brinde com champanhe para celebrar a viagem, os encontros e tudo aquilo que já havíamos vivido naquele primeiro dia.
Vieram as taças, os sorrisos, as histórias e, claro, aquela animação que vai aumentando conforme a conversa fica boa.
Depois, resolvemos pedir pizza.
Porque depois de um dia inteiro andando, viajando de trem, conhecendo cidade e ouvindo histórias, ninguém estava muito interessado em procurar um restaurante sofisticado. Queríamos mesmo era ficar juntos.
E ficamos.
Entre uma fatia de pizza e outra, o bate-papo se estendeu. As conversas se cruzavam, as risadas apareciam de todos os lados e, aos poucos, cada viajante foi se recolhendo para o quarto.
O dia tinha sido longo.
E muito bom.
O sono chegou sem precisar de convite.

Dia 2 — Caxambu e as histórias guardadas nos hotéis
O segundo dia começou cedo.
Na verdade, começou antes mesmo do café da manhã.
O grupo já estava se movimentando pelo aplicativo de mensagens, trocando mensagens, combinando horários e perguntando quem já estava acordado.
Era sinal de que ninguém queria perder tempo.
Aos poucos, fomos chegando ao café da manhã do hotel e nossa mesa foi crescendo.
Frutas, sucos, pães, bolos, queijos, doces...
Aquela mesa de café de hotel que parece dizer:
“Você vai mesmo sair daqui sem experimentar tudo?”
E, obviamente, ninguém saiu.
Depois do café, começamos a nos organizar para seguir até Caxambu.
Nosso guia já nos aguardava e, durante o trajeto, fomos conhecendo um pouco mais sobre a formação das cidades da região e a importância de Caxambu dentro do Circuito das Águas.
Caxambu e suas águas
Ao chegarmos à cidade, seguimos diretamente para o Parque das Águas.
O parque reúne diversas fontes, cada uma com características próprias e uma história ligada às propriedades medicinais de suas águas.
Nosso guia foi apresentando as fontes e explicando suas particularidades, indicando aquelas tradicionalmente associadas ao sistema digestivo, cicatrização, pressão arterial, olhos, gastrite, fígado, estômago, anemia e processos inflamatórios.
Era quase uma aula de química, história e tradição mineira ao ar livre.
E, naturalmente, não poderíamos simplesmente visitar o parque sem provar as águas.
Entre uma fonte e outra, os viajantes experimentavam, comparavam sabores e tentavam descobrir qual água era mais agradável.
Algumas agradaram.
Outras... digamos que ficaram mais famosas pelas propriedades medicinais do que pelo sabor.
Passamos boa parte da manhã conhecendo o parque e encerramos a visita com um banho de ducha que animou o grupo.
Depois de tanta água, chegou a hora de uma coisa muito mais consensual:
comida mineira.

Hotel Gloria — uma viagem no tempo
Depois do almoço, seguimos caminhando pelas ruas de Caxambu.
Nossa primeira parada foi no Hotel Gloria, um dos grandes símbolos da história da cidade.
Com cerca de 93 anos, o hotel preserva características originais e mantém uma imponência que chama atenção ainda hoje.
Nossa visita permitiu conhecer diferentes ambientes do hotel, passando pela recepção, áreas de lazer, piscina e acomodações.
Um dos momentos mais interessantes foi conhecer a suíte de D. Pedro, que guarda referências do luxo e do modo de viver de outra época.
A arquitetura neoclássica aparece na composição dos espaços e, principalmente, na relação entre arquitetura e decoração. Mesmo depois de reformas e adaptações ao longo dos anos, muitos elementos permanecem preservados.
Caminhar por aqueles ambientes era, de certa forma, caminhar também pela memória da cidade.

Igreja Nossa Senhora dos Remédios
Deixamos o hotel e continuamos nossa caminhada.
Chegamos então à Igreja Nossa Senhora dos Remédios, fundada em 1892 e inaugurada em janeiro de 1906.
A construção reúne referências góticas e neoclássicas e ocupa uma posição de destaque na paisagem urbana.
Ao seu redor, um grande jardim cria uma espécie de respiro em meio à cidade.
Os viajantes aproveitaram, é claro, para registrar o momento.
Porque viagem sem foto hoje em dia é praticamente patrimônio imaterial perdido.
Depois das fotos, seguimos pelas ruas de Caxambu em direção ao nosso próximo destino.

Grande Hotel de Caxambu — elegância que atravessou o tempo
Nossa caminhada terminou no Grande Hotel de Caxambu, fundado em 1892 e considerado o hotel cassino mais antigo do Brasil.
Fomos recebidos pelo gerente Anderson, que abriu as portas do hotel para o nosso grupo e nos conduziu por diferentes espaços da construção.
O hotel impressiona não apenas pelo tamanho, mas pela maneira como sua arquitetura e decoração preservam a atmosfera de outras décadas.
Com uma arquitetura neoclássica marcada pela simetria e pela imponência, o complexo ocupa uma área de aproximadamente 25 mil metros quadrados.
Nos corredores, fomos encontrando detalhes que ajudam a contar essa história: lustres de cristal, móveis de época, vasos, objetos decorativos e tantos outros elementos que parecem ter permanecido ali justamente para lembrar que o tempo passou, mas não levou tudo consigo.
Conhecemos as acomodações, circulamos pelos ambientes e chegamos ao famoso restaurante, onde a arquitetura ganha ainda mais presença.
E, claro, houve a tradicional pausa para as fotos.
Inclusive aquela foto na escadaria do hall de entrada — porque alguns lugares praticamente pedem para virar cenário.

De volta para casa
Depois de Caxambu, retornamos a São Lourenço.
Ali nos despedimos do nosso guia e seguimos viagem de volta para São Paulo.
O ônibus estava novamente cheio de malas, sacolas, lembranças e, principalmente, histórias.
Na janela, Minas Gerais começava a ficar para trás.
Mas algumas viagens não terminam quando o ônibus chega ao destino.
Elas continuam nas conversas, nas fotografias, nas lembranças e naquela sensação boa de ter vivido alguma coisa diferente por alguns dias.
São Lourenço e Caxambu nos receberam com aquele jeito mineiro de fazer tudo parecer mais tranquilo.
O tempo parece passar um pouco mais devagar.
As pessoas conversam um pouco mais.
A comida demora um pouco mais para chegar — talvez porque ninguém queira que ela acabe.
E existe uma hospitalidade que não precisa de grandes gestos para ser percebida.
Foram dois dias entre águas, trilhos, montanhas, arquitetura, história e encontros.
Voltamos para casa renovados e, evidentemente, carregando nossas garrafinhas de água medicinal.
Vai que funciona, né?
Depois de caminhar tanto, conhecer tanto e comer tanto, qualquer ajuda é bem-vinda.
E agora a mala já começa a se preparar novamente.
Nosso próximo destino será a Serra Gaúcha.
Gramado nos espera com vinho, paisagens e novas histórias. Em Bento Gonçalves, vamos embarcar novamente nos trilhos para conhecer as paisagens da região e descobrir um pouco mais sobre a arquitetura e a cultura dos imigrantes que ajudaram a construir o Sul do Brasil.
Porque no Caminhos é assim:
uma viagem termina...
e a próxima já começa a nascer.
Até daqui a pouco.

































Viajar se assemelha a folhas em branco ansiosas para serem preenchidas com narrativas, vivências, recordações, experiências e nostalgia.
O "Caminhos da Arquitetura" tem a capacidade de oferecer essa combinação e emocionar aqueles que viajaram nos caminhos das águas.
Retornamos para casa com o coração cheio de gratidão. A companhia de vocês foram maravilhosas nesta viagem. As risadas, as conversas e os momentos que vivemos juntos vão ficar guardados para sempre na nossa memória. Vocês tornaram tudo muito mais especial. Espero que nos reunamos em breve para nossa próxima viagem com os Caminhos. Um forte abraço de Rose e Morita.
Não é somente um passeio, é uma comunhão de almas. A gente conhece lugares lindos, construções que contam nossa história, e, nessa viagem em especial, bebemos a melhor água do mundo e ainda tratamos da alma com a companhia deliciosa de todos os companheiros de viagem. É sempre uma alegria enorme estar com todos juntos. Até a próxima!
Amei a experiência e a companhia de todos.
Juro que me surpreendeu.
Quero mais.
Esse momento,me fez muito bem!
O Marcelo, realmente é,um querido!