DIÁRIO DE VIAGEM | Piracicaba e Parque Aramat - Uma viagem de descobertas e encontros

O começo de mais uma jornada
Aos poucos, nossos viajantes foram chegando ao ponto de encontro para mais uma viagem do Caminhos da Arquitetura, desta vez com destino a Piracicaba e ao Parque Aramat, em Águas de São Pedro. O dia ainda despertava, mas a expectativa já era grande. Entre abraços, cumprimentos e conversas, nosso grupo começava a se formar, trazendo consigo aquela mistura de entusiasmo e curiosidade que sempre acompanha uma nova viagem.
Durante o percurso, as conversas foram revelando quem já conhecia Piracicaba e quem estava prestes a descobrir a cidade pela primeira vez. Para alguns, seria um reencontro com lembranças de outras épocas; para a maioria, uma oportunidade de conhecer novos lugares. Pela janela, as paisagens de montanhas e pequenas cidades acompanhavam nosso caminho, enquanto, pouco a pouco, nos aproximávamos do destino.

Sabores à beira do Rio Piracicaba
Nossa primeira parada foi no tradicional Restaurante Chevette, onde tínhamos uma reserva para experimentar uma das especialidades mais conhecidas da região: o peixe assado. Enquanto alguns viajantes se acomodavam, outros já escolhiam seus peixes, antecipando o prazer de uma boa refeição.
À nossa frente, o Rio Piracicaba seguia imponente, com seu grande volume de águas compondo uma paisagem que convidava a desacelerar. Entre pratos, conversas e histórias de viagens passadas, o almoço se transformou naquele momento de confraternização tão especial.
Entre nossos viajantes estava Dona Maria, aos 93 anos, vivendo uma experiência muito especial ao lado de sua filha, Aninha, nossa amiga e companheira de tantas viagens com o Caminhos. Sua presença nos lembrava que a vontade de conhecer o mundo não tem idade e que nunca é tarde para colecionar novas experiências.
Depois do almoço, aproveitamos o lindo dia de sol para conhecer um pouco da tradicional Rua do Porto, com seu casario e sua atmosfera tão característica. Em seguida, seguimos para o hotel, onde nosso guia Ota já nos aguardava.


Uma cidade que conta sua história
Após um rápido check-in, deixamos as malas e partimos a pé em direção ao Centro Histórico. Nosso primeiro destaque foi a Igreja Matriz, cuja arquitetura neorromânica chama a atenção pelas linhas retas, pelos arcos plenos e pelas duas imponentes torres simétricas que marcam sua fachada. Projetada pelo arquiteto Benedito Calixto, a construção apresenta corredores amplos e uma composição arquitetônica que merece ser observada com atenção.
Durante a visita, nosso guia contou que o templo atual corresponde à quinta construção da matriz, com capacidade para receber aproximadamente mil pessoas.
Caminhar pelo centro de Piracicaba também é perceber uma cidade que preserva características de interior. Suas ruas largas, edificações de poucos pavimentos e construções tradicionais criam uma atmosfera tranquila, onde a história permanece presente no cotidiano.



Engenho Central: da indústria à cultura
Nossa próxima parada foi o Engenho Central, um dos mais importantes patrimônios históricos e culturais da cidade. O antigo complexo industrial, com seus característicos edifícios de tijolinhos aparentes, hoje abriga arte, cultura e diferentes manifestações da vida piracicabana.
Fundado em janeiro de 1881 pelo Barão de Rezende, Dr. Estêvão Ribeiro de Souza Rezende, às margens do Rio Piracicaba, o Engenho Central nasceu com a proposta de modernizar a produção açucareira brasileira. Sua estrutura utilizava maquinário importado da França e representava uma mudança significativa em relação aos antigos engenhos artesanais, inserindo-se também no contexto de transição do trabalho escravizado para o trabalho assalariado.
Ao longo dos anos, o espaço ganhou novos significados. Aquilo que antes movimentava a economia açucareira hoje é um importante parque turístico e cultural, reunindo equipamentos como o Museu da Imagem e do Som de Piracicaba, o Teatro Erotides de Campos, conhecido como Teatro do Engenho, e a Secretaria Municipal da Ação Cultural. Também é palco de eventos tradicionais, como a Festa das Nações e o Salão Internacional de Humor.
Enquanto caminhávamos pelo complexo, nosso guia foi apresentando outros pontos importantes da cidade, como o Museu da Água, a Casa do Povoador, a Passarela Pênsil sobre o rio e o tradicional casario da Rua do Porto. Cada parada acrescentava uma nova camada à nossa compreensão de Piracicaba, revelando como sua história, sua arquitetura e sua relação com o rio se entrelaçam.

Um brinde às boas companhias
De volta ao hotel, era hora de aproveitar um pouco das acomodações. Localizado em uma parte elevada da cidade, o hotel nos presenteava com uma bela vista, quartos amplos e um fim de tarde daqueles que merecem ser contemplados sem pressa. Mas ainda tínhamos um compromisso especial: nosso tradicional brinde de espumante!
Com as taças nas mãos, reunidos na cobertura, à beira da piscina, celebramos o dia e, principalmente, a alegria de estarmos juntos. O sol se despedindo no horizonte, as conversas que se misturavam às risadas e a sensação de familiaridade entre os viajantes criavam o cenário perfeito. Era bonito perceber como, mesmo em pouco tempo, todos já se sentiam parte de um mesmo grupo.
Nosso dia havia sido intenso, repleto de descobertas e boas histórias. E, claro, não faltaram as particularidades da cultura local, especialmente o sotaque tão característico dos piracicabanos, que já é considerado patrimônio cultural imaterial do município.
À noite, os viajantes se dividiram em pequenos grupos para conhecer um pouco da gastronomia local. Uma das escolhas foi o famoso Coisim de Minas, com suas delícias inspiradas na culinária mineira. Entre uma boa comida e conversas descontraídas, fomos encerrando nosso primeiro dia em Piracicaba. Era hora de descansar, porque novas experiências nos aguardavam na manhã seguinte.

Um novo dia, novas descobertas
O segundo dia começou com o sol iluminando a cidade e nossos viajantes se encontrando novamente ao redor da mesa do café da manhã. Entre pães, bolos, frutas e sucos, as conversas retomavam o ritmo da viagem. Aos poucos, todos foram chegando, e o grupo estava completo para mais uma jornada.
Depois do café, fizemos o check-out e seguimos para a Pinacoteca Municipal, onde visitamos uma exposição que reúne obras e pinturas relacionadas à história e à identidade da cidade. Entre os corredores, as imagens revelavam diferentes olhares sobre Piracicaba, proporcionando mais um contato com a cultura local.
Depois de algumas fotografias e dos últimos registros, era hora de pegar a estrada. Piracicaba começava a ficar para trás, mas a viagem ainda reservava uma experiência muito especial.



Parque Aramat: quando a arte encontra a natureza
Nosso próximo destino era o Parque Aramat, em Águas de São Pedro, um espaço onde arte, educação e natureza se encontram de maneira surpreendente.
Na chegada, fomos recebidos pela guia Raquel, que nos apresentou a história e a proposta do parque. Com aproximadamente 420 mil metros quadrados, o espaço está organizado em sete setores e reúne mais de 30 obras e instalações artísticas de nomes nacionais e internacionais, além de criações colaborativas do Coletivo Aramat.
A história do parque também carrega uma dimensão bastante afetiva. Seu idealizador e fundador, Hudson Gomes, costumava desenhar obras de arte em pedaços de papelão durante a infância, acompanhado pelo pai. O que começou como uma brincadeira foi amadurecendo ao longo dos anos, alimentado por viagens, conversas e pelo desejo de criar um lugar onde arte e natureza pudessem conviver em harmonia.
O terreno que hoje abriga o parque era originalmente uma área degradada pela exploração agrícola, com cultivo de cana-de-açúcar, mandioca e atividades pecuárias. Sua transformação exigiu um extenso trabalho de recuperação ambiental, incluindo a restauração do solo, o plantio de aproximadamente 200 mil mudas de árvores e a recuperação de quatro nascentes.
Assim, o Aramat foi ganhando forma e identidade, reunindo obras de artistas como Jean Paul Ganem e Sergio Esteves, além de trabalhos desenvolvidos coletivamente por familiares, amigos, motoristas, jardineiros e arquitetos que participaram da construção desse projeto. Mais do que um parque de esculturas, o espaço propõe uma experiência de integração entre arte, educação e natureza.

Caminhos de arte e contemplação
Começamos nossa caminhada pelos caminhos que conduzem às diferentes instalações. A cada trecho, uma nova descoberta. As placas posicionadas diante das obras apresentavam informações sobre os artistas, suas inspirações e os conceitos envolvidos em cada criação. Entre elas, encontramos trabalhos como Labirinto, Ayty, Nuvens e Evolução, cada um despertando interpretações e percepções particulares.
Era interessante observar como cada viajante se relacionava com as obras de uma maneira diferente. Alguns buscavam compreender os conceitos apresentados, outros se encantavam pelas formas, cores e dimensões, enquanto muitos aproveitavam para registrar os detalhes em fotografias. Afinal, a arte também tem essa capacidade de provocar diferentes sentimentos e não oferecer necessariamente uma única resposta.
Durante o percurso, os sons dos pássaros acompanhavam nossa caminhada, enquanto o trenzinho que circula pelo parque oferecia apoio aos visitantes e ajudava a percorrer as distâncias entre os diferentes setores. A vegetação, cuidadosamente trabalhada, revelava um paisagismo cheio de detalhes, onde os caminhos, as formas e as intervenções artísticas pareciam fazer parte de uma mesma composição.
Em determinado momento, chegamos a um pavilhão localizado no alto de uma colina. Ali encontramos um café e exposições que também despertaram a curiosidade do grupo. Entre elas, uma instalação com redes recolhidas do rio e outra com temática relacionada às bananas. As propostas provocaram diferentes interpretações e renderam boas conversas entre nossos viajantes. Cada um compartilhava sua percepção, demonstrando como uma mesma obra pode despertar olhares completamente distintos.



Uma pausa para apreciar o caminho
Depois de uma longa caminhada, fizemos uma pausa para o almoço e um merecido descanso. A área gastronômica também oferece lojas de souvenirs e lembranças, permitindo que cada visitante leve consigo um pequeno registro dessa experiência.
Com as energias renovadas, seguimos explorando outros caminhos e instalações. Ainda havia muito para descobrir. A integração entre o paisagismo, as obras e a natureza tornava cada trecho especial, mostrando que o parque vai muito além da contemplação artística: é também um convite à reflexão sobre a relação entre o ser humano e o ambiente que o cerca.

O que levamos de cada viagem
Ao final da tarde, chegou a hora de nos despedirmos do Parque Aramat e iniciar nosso retorno para casa. Levávamos conosco as fotografias, as histórias, os conhecimentos adquiridos e, sobretudo, a satisfação de mais uma experiência compartilhada.
Porque as viagens do Caminhos da Arquitetura vão muito além dos destinos. São encontros, descobertas e oportunidades de olhar para o mundo sob novas perspectivas. A arquitetura nos apresenta lugares, a arte desperta sentimentos, a natureza nos convida à contemplação, mas são as pessoas que dão verdadeiro significado a cada percurso.
E, a cada viagem, percebemos que os laços de amizade se fortalecem, criando esse sentimento tão especial de acolhimento e família que faz parte da nossa essência.


Até nosso próximo destino!
E já estamos contando os dias para nossa próxima aventura! Desta vez, vamos voltar no tempo e percorrer os caminhos da época imperial do Rio de Janeiro, entre histórias, arquitetura e paisagens da Cidade Maravilhosa.
Que venham novos destinos, novos viajantes e muitas histórias para contar!
Um abraço e até a próxima viagem!
Equipe Caminhos da Arquitetura


















que experiencia incrivel conhecendo a historia de Piracicaba e desbravando a arte e natureza do Parque Aramat. Simplesmente maravilhoso amigos. 👏👏👏
Viagem boa tem que ter amigos, os que nos acompanham e os que fazemos ao longo do percurso, como foi em nossa 22° ida com os Caminhos da Arquitetura a Piracicaba/SP, visitando o Parque Aramat em São Pedro/SP e sempre vivendo novas experiências.