DIÁRIO DE VIAGEM — Jaguariúna e Holambra
- Caminhos da Arquitetura
- 7 de dez. de 2025
- 8 min de leitura
29 de novembro — Caminhos pelos trilhos da história

O dia mal tinha começado quando o Caminhos da Arquitetura já estava a todo vapor. Bem cedinho, enquanto a cidade ainda acordava devagar, nosso grupo saiu de São José dos Campos rumo a Campinas. Outra parte do Caminhos deixava São Paulo no mesmo horário, e todos iriam se encontrar no coração ferroviário do interior: a estação da Maria Fumaça. Aquele ponto onde o tempo parece diminuir o passo só para deixar a gente apreciar melhor.
Quando chegamos, o vagão exclusivo do Caminhos da Arquitetura já esperava, com aquele charme de madeira antiga e janelas que parecem molduras de um museu vivo. Bastou o grupo entrar para a atmosfera mudar: estávamos prestes a embarcar não apenas em um trem, mas em uma travessia histórica.
Assim que o apito soou, o vagão começou a se mover e o cenário ganhou vida lá fora. As primeiras estações surgiram como pequenas cápsulas do passado. O guia, atento a cada detalhe, ia costurando as paisagens com histórias — e a viagem se transformava numa aula viva sobre o ciclo do café. Era impossível não se pegar imaginando o século XIX passando pelos trilhos junto com a gente.
A cada fazenda que aparecia entre as árvores, dava para notar as diferentes raízes desse Brasil cafeeiro. E aí vinha aquela comparação inevitável — e reveladora. No Vale do Paraíba, os barões do café ergueram casarões imponentes, quase palácios rurais, sustentados pela força escravizada. Eram construções pesadas, cheias de hierarquia espacial, com salões largos, varandas generosas e senzalas posicionadas estrategicamente para reafirmar o poder de seus donos.
Já na região de Campinas, o caminhar da história foi outro. Quando o Vale entrou em decadência e a escravidão mostrava suas últimas forças, vieram os imigrantes europeus trabalhar nas lavouras livres. E com eles, uma nova estética: vilas de tijolos à vista, casas simples organizadas como pequenas comunidades, espaços funcionais e estruturas que anunciavam uma mentalidade mais moderna e pragmática. Era quase como observar dois Brasis convivendo na mesma paisagem — o de opulência rígida e o de reconstrução otimista.
O trem seguia, balançando suavemente, e a conversa no vagão ia crescendo junto com o entusiasmo. Entre risadas, fotos pelas janelas e comentários sobre as fazendas e haras que passavam, a sensação era de estar vivendo algo que mistura charme, história e afeto. Cada estação trazia uma descoberta, cada curva do trilho oferecia uma cena digna de pintura.
A paisagem do trem deslizava pela janela como uma pintura viva quando, enfim, chegamos a Jaguariúna. Assim que descemos, nosso ônibus já aguardava, prontinho para levar o grupo ao Haras Patente. Ali, o Caminhos mergulhou em outro capítulo da história local — uma antiga fazenda que hoje virou um condomínio de luxo, preservando no coração da propriedade o haras, tombado como patrimônio. A arquitetura rural cuidadosamente mantida, o silêncio elegante, os estábulos organizados… tudo transmitia uma sensação de tranquilidade quase cinematográfica. E saber que ali vivem cavalos premiados só deixava o lugar ainda mais especial, quase como se cada animal carregasse um pedacinho daquela história.
Com esse cenário, não tinha como não renovar as energias. Jaguariúna faz jus ao título de Texas brasileiro — tem um charme próprio, uma força cultural que se sente até no vento que passa pelas cercas.
Voltamos então para a estação de trem, onde o relógio parecia correr mais devagar. Ali mesmo experimentamos a gastronomia local e, claro, a maravilhosa trouxinha da estação… que delícia! Aquele tipo de comida regional que abraça a gente por dentro. A culinária de Jaguariúna é daquelas que não prometem — entregam. E entregam muito bem.
Enquanto comíamos, o cenário em volta brincava com a gente: a estação histórica, as casas antigas, a vida acontecendo devagar… tudo contribuía para aquele ar de “estou no lugar certo”. E como se não bastasse, bem ali no entorno estava o nosso hotel. Que hotel! A fachada chamava atenção logo de cara, com uma elegância simples e charmosa. Os quartos amplos, confortáveis, o atendimento incrível e uma estrutura que deixava claro: voltaríamos, sem dúvida.
E pela primeira vez, conseguimos realmente aproveitar a estrutura com calma. O grupo se espalhou pelo hotel como quem se sente em casa. Teve conversa longa e gostosa à beira da piscina, gente descansando no quarto para recuperar o fôlego para a noite, amizade nascendo, histórias sendo trocadas… era aquele momento de viagem que ninguém vê no Instagram, mas que define tudo.
Quando a noite finalmente chegou, parecia que o dia ganhava fase dois. E, claro, fomos conhecer um ponto especial de Jaguariúna: o Na Lenha. Um bar country texano que parecia ter sido teletransportado direto do interior dos Estados Unidos. Decoração temática caprichada, música ao vivo e um clima acolhedor daqueles que misturam madeira, risadas e um bom toque de aventura.
Os viajantes gostaram tanto que imediatamente eternizaram o momento com fotos exclusivas — e a roda-gigante iluminada, charmosa e totalmente inesperada, virou o cenário perfeito para registrar o astral do grupo. No final da noite, voltamos caminhando, contemplando a calmaria da cidade, rindo das histórias do dia e aproveitando o fato de que nosso hotel estava logo ali pertinho… quase um convite para encerrar a noite do jeito certo.
A manhã chegou leve, colorida e com aquele ar de descanso bem aproveitado. Os viajantes começaram a descer para o café no restaurante do hotel, todos uniformizados, criando aquela cena bonita de unidade que só o Caminhos da Arquitetura consegue. O cheiro de café passado, frutas frescas e conversa animada dava o tom perfeito do novo dia.
Cada um viveu sua manhã do seu jeito: alguns pegaram as bicicletas — um mimo delicioso do hotel — e deram voltas tranquilas pela região, aproveitando o silêncio do interior. Outros seguiram para a feirinha da estação, onde encontramos um senhor artesão contando com brilho nos olhos a história da cidade. Era lindo ver o orgulho dele, falando de Jaguariúna como quem fala da própria casa, da própria vida. E ali ficou claro: essa é uma cidade para ser vivida com calma. A beleza mora nos detalhes, nos cantos, nos galpões antigos, e até nos eventos grandiosos — afinal, é lá que acontece a segunda maior festa de rodeio do Brasil, quando a cidade inteira se transforma e vira um espetáculo à parte.
Ainda na estação, fizemos nosso tradicional brinde com champanhe — porque viagem do Caminhos tem que celebrar cada passo, literalmente. Taças erguidas, sorrisos e aquela sensação gostosa de estar exatamente onde se deveria estar.
Logo depois, seguimos rumo ao encontro do nosso guia em Holambra… porque o dia ainda tinha muito o que florescer.
Seguimos viagem e, quando cruzamos a entrada de Holambra, parecia que o dia ganhava novas cores. Nosso primeiro destino foi o Bloemen Park, um daqueles lugares que já fazem a gente sorrir antes mesmo de descer do ônibus. Assim que chegamos, deu para sentir a reação imediata do grupo: olhos arregalados, celulares preparados e aquele “uau” coletivo que não precisa nem ser falado.
Os viajantes se espalharam pelo parque como quem acaba de entrar num jardim encantado. Cada flor — das mais delicadas às mais exuberantes — virava motivo de foto, conversa e descoberta. E foi ali que o ápice do lugar roubou a cena: as rosas. Um espetáculo à parte. Era cada viajante inclinando o rosto para cheirar uma rosa diferente, e o grupo, com suas camisas amarelas do Caminhos, parecia um enxame simpático de abelhas polinizando alegria por onde passava. Uma cena tão doce que dava vontade de aplaudir.
Mesmo os mais introspectivos, aqueles que normalmente observam tudo em silêncio, se pegaram encantados com a grandiosidade do parque. Holambra tem esse dom: transforma qualquer um em apreciador oficial de flores, paisagens e poesia sem palavras. E ali, no Bloemen, o Caminhos da Arquitetura parecia uma grande família passeando pelo quintal mais florido que já viu.
Quando demos conta, já era hora do almoço. Seguimos para o centro de Holambra em busca dos sabores típicos holandeses — porque ninguém resiste à curiosidade de provar um pedacinho da cultura local. Entre restaurantes charmosos e vitrines cheias de encanto, o grupo se dividiu entre pratos tradicionais, sobremesas generosas e, claro, o famoso sorvete de flores. Teve quem escolhesse rosas, lavanda, violeta… e cada colherada vinha com aquele sorriso de “isso existe mesmo?”. Existe, e é maravilhoso.
Depois do almoço, saímos passeando pela cidade, sentindo o clima leve que só Holambra tem. A influência dos imigrantes holandeses aparece em cada detalhe: nas fachadas coloridas, nas janelas floridas, nas ruas que parecem sempre prontas para receber uma festa. Mesmo com o calorão, tudo continua impecável — como se as flores já tivessem se adaptado ao verão brasileiro e decidido florescer ainda mais fortes por pura teimosia alegre.
Passamos pelo Parque Van Gogh, com seus chalés lindos que hoje são lojinhas delicadas e irresistíveis para um passeio sem pressa. E, claro, fomos até ele: o icônico moinho de vento. Imponente, fotogênico, quase cenográfico. E foi ali que o sol começou a se despedir, tingindo tudo de dourado. Que vista. Um verdadeiro cartão postal vivo. Aliás, em Holambra acontece o contrário do mundo: é impossível tirar uma foto feia. Cada esquina parece ter sido preparada com cuidado para ser um quadro — e o Caminhos fez questão de aproveitar cada um deles.
E como toda história boa, quando percebemos… a viagem estava chegando ao fim. As primeiras luzes de Natal começaram a acender enquanto caminhávamos, transformando a cidade discretamente, como se ela estivesse despertando para a festa que viria naquela noite. Aquele brilho suave deixou tudo mais mágico — e ao mesmo tempo trouxe a sensação agridoce de despedida.
Essa foi a última viagem do Caminhos da Arquitetura em 2025 — e ela encerrou o ano do jeitinho que a nossa história merecia: com emoção verdadeira, com gente abraçando a experiência de corpo e alma, com sorrisos que não cabiam nas fotos. Voltamos para casa com a mala lotada… mas não de coisas. Lotada de momentos que vão ecoar por muito tempo. Lotada de olhares que se cruzaram e viraram amizade, de histórias compartilhadas no ônibus, de risadas na piscina, de descobertas que só existem quando a gente viaja junto. Voltamos cheios de gente nova que decidiu confiar no Caminhos, que entrou tímida e saiu pertencendo. A família Caminhos cresceu — e cresceu do jeito mais bonito: em afeto, em parceria, em conexão.
E olhando para tudo o que vivemos, fica impossível negar: 2025 não foi só um bom ano. Foi um marco. Um daqueles anos que a gente sente orgulho, que a gente sente no peito, que a gente sabe que transformou alguma coisa dentro da gente. Um ano que nos mostrou caminhos que nem sabíamos que existiam.
E agora, enquanto as últimas luzes deste ciclo repousam sobre nossas lembranças, dá pra sentir 2026 nascer ali adiante — como uma cidade iluminada que a gente ainda não explorou, mas já chama pelo nome. Um ano que nos espera com novas fachadas para decifrar, novos espaços para habitar, novas ruas para caminhar lado a lado. Porque o Caminhos da Arquitetura não é só sobre viajar: é sobre transformar cada destino em pertencimento, cada grupo em comunidade e cada paisagem em história viva.
E se tem algo que 2025 nos provou, é que quando caminhamos juntos, tudo ganha escala, afeto e sentido.
Então vem, arruma a mala e deixa 2026 te surpreender. Os próximos destinos já estão abrindo as portas — e queremos te ver ali, no meio da roda, sorriso pronto, olhar curioso, e o coração viajando antes mesmo do corpo. a verdade é uma só: as melhores paisagens ficam ainda mais bonitas quando você caminha com a gente.
Vem construir 2026 ao nosso lado — passo a passo, memória a memória, como quem ergue juntos a arquitetura de um ano inesquecível.






























































































































































































































































































































Estarmos juntos, torna cada viagem, cada caminhos mais especial.
Amigos pra vida toda que AMO.......❤️❤️❤️
Gente, que viagem incrível! Foi tudo perfeito e maravilhoso!
A energia da turma é fantástica, os lugares que visitamos são lindíssimos, e os aprendizados sobre arquitetura?
Isso tudo nao tem preço!
Gratidão por tanto!
Viagem abençoada!
Parabens pela dedicação e principalmente pela preocupação em oferecer oasseios culturais e cheios de aprendizado. Admiro o yrabalho de vcs! Obrigada por tudo e até a próxima vivência...
Viajar com o Caminhos é outro nível
Que viagem inspiradora! Cada detalhe era uma risada, cada conexão um aprendizado. Cada lugar que pisamos nos impulsionou a perceber quanta beleza existe para nos aquecer…
#amigos#arquitetura#viagens para a vida❤️